Estudo Bíblico APOCALIPSE – Parte 2 (19/09/2017)

VISÃO PANORÂMICA DO APOCALÍPSE

Na primeira reunião vimos que o Apocalipse tem uma linguagem recheada de muitos símbolos. Hoje vamos pegar um helicóptero e dar uma olhada neste livro por cima. Como se saíssemos sobrevoando Campinas, veremos lugares muito bonitos, outros nem tanto, que infelizmente existem.
O Apocalipse também é assim. Veremos coisas bonitas e coisas feias (Monstros, dragões, perseguições). Não importa! A beleza está no todo e no que podemos refletir a partir do texto sobre a nossa vida, a vida social, a vida da Igreja, tudo com uma visão de fé e em espírito de oração, como João.

SOBREVOANDO O APOCALIPSE

Sem título

PRIMEIRA PARTE
Nesta primeira parte – capítulos 1-3 – O Autor faz uma introdução geral a todo o livro. Se apresenta como na orelha de um livro atual. Faz a apresentação de sua obra: Fala da visão que teve de Jesus Cristo e que Ele lhe ordena a escrever paras as 7 Igrejas da Ásia.
Exercício: Ap 3, 14-22, ler e refletir:
1) O que este texto diz para nossa comunidade hoje?
2) O que ele diz para a minha vida de cristão?

UMA PITADA DA REALIDADE DA COMUNIDADE DE LAODICÉIA: Esta cidade era rota de comércio. Sua indústria principal era tecelagem de uma lã muito apreciada, de um preto arroxeado, macia e brilhante. Era o centro de modas e confecções, célebre por suas túnicas de luxo. Centro financeiro. Muitos bancos sólidos e respeitados. Cidade rica e orgulhosa. No ano 61 ac quase foi destruída por um terremoto, não quis aceitar ajuda do Imperador Romano, preferiu se reconstruir sozinha com seus próprios recursos. Outro motivo de orgulho para a cidade era a sua escola de medicina especializada em tratamento de doenças dos olhos. Ali era fabricado um colírio famoso no mundo todo. Ainda lhe enchia de orgulho a sua água mineral muito famosa. Esta água saia quente da fonte e dava para beber enquanto estava quente, mais abaixo, depois de rolar pelas pedras e ficar morna era beber e ter ânsia. Todas estas características aparecem na reflexão que João faz sobre Laodicéia.

SEGUNDA PARTE
UMA SÉRIE DE VISÕES NAS QUAIS SE DESENVOLVEM EVENTOS À MANEIRA DE CHOQUE ENTRE DEUS E AS FORÇAS DO MAL (CAP. 4 até o cap. 20)
Começa com uma nova visão de João:
1) Ele vê o céu como uma linda e eterna liturgia. No Centro de tudo está Deus e Jesus Cristo que aparece como um CORDEIRO (meio monstruoso, mas o monstro do bem), que foi imolado (morto em sacrifício), mas se encontra de pé (Ressuscitou). Tem 7 chifres (poder infinito) e 7 olhos (o autor mesmo explica, que são os 7 espíritos de Deus = Espírito Santo). Nos lembra a passagem de João Batista que apresenta Jesus ao povo dizendo: “Eis o cordeiro de Deus”, e que repetimos nas Missas até hoje.
2) Procura refletir por meio de símbolos as perseguições sofridas pelos cristãos nos governos de NERO e DOMICIANO – grandes perseguidores. Mas vai desembocar na vitória final de Deus! Apresenta as suas visões em grupos de 7: Sete selos; Sete trombetas; os sete reinados do Dragão; sete taças etc…
Todas estas visões querem retratar a realidade sofrida que o povo estava vivendo, quando foi escrito.
3) Fala em três monstros:
DRAGÃO – QUE PERSEGUE A MULHER GRÁVIDA (O próprio autor diz que é a antiga serpente que já apareceu no livro de gênesis tentando a mulher. Ela tenta morder o calcanhar da mulher, mas o seu descendente vencerá a serpente).
Bicho de 7 cabeças que ele chama de BESTA ou de FERA .
Besta que vem do mar (o povo que vem do mar são os Romanos conquistadores) com 10 chifres com 10 coroas (10 Reis que teve o Império Romano) e 7 cabeças (Lembra refere-se às 7 colinas da cidade de Roma). Como podemos ver este monstro é nada mais nada menos que o Poder do Império Romano que persegue o povo de Deus. O Autor não se refere aos dias de hoje, muito menos à Roma de Hoje.
A outra Besta com 2 chifres como o cordeiro que falava como o Dragão (era a religião dos Romanos que legitimava o Império levando o povo até mesmo ao culto do Imperador. Um grande problema é que os cristãos não aceitavam cultuar o Imperador e adorá-lo como se fosse um deus.).
E se joão estivesse escrevendo o AP hoje?. Aqui no Brasil?
Talvez descrevesse um monstro com o nome de CORRUPÇÃO, com 7 chifres (Muito poder). E OUTRO monstro representando as falsas religiões cristãs, que apoiam os corruptos. Muita gente perde tempo utilizando o Apocalipse para calcular o fim do mundo. Definitivamente o Autor NÃO tinha nenhuma pretensão em revelar A DATA DO FIM DO MUNDO. A REVELAÇÃO PRETENDIDA PELO AUTOR é A SEGUINTE: Tudo nos leva a crer que o mundo está perdido, MAS DEUS VENCERÁ, e isto está bem claro no texto. PARA NÓS A MELHOR EXPLICAÇÃO SOBRE O FIM É A DADA POR JESUS CRISTO em Lc 21,7-9 e também Mt 24, 3 e 24,36.

RESUMINDO:
Apesar das várias definições, o Livro do Apocalipse fala da Presença (Parousia, em grego) iminente de Jesus no mundo. É PRESENÇA REAL, PESSOAL, VIVA, CONSTANTE E ATIVA. Nos mostra que Ele está aqui em plenitude, em realeza, em juízo, na luta cotidiana, no sacrifício sacerdotal, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade – onde quer que seja celebrada a Eucaristia.

Mt 28, 20: O Apocalipse e a Missa
A Missa no Concílio Vaticano II: “Na liturgia da terra, participamos, saboreando-a de antemão, na litúrgica celeste, celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos dirigimos como peregrinos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, como um ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo. O fio de ouro da liturgia é o que une as pérolas apocalípticas da visão de João.
Vejamos:
– Culto dominical: 1, 10
– Um grande sacerdote: 1, 13
– Um altar: 8, 3-4; 11, 1; 14,18
– Sacerdotes: 4,4; 11,15; 14,3; 19,4
– Paramentos: 1,13; 4,4; 6,11; 7,9; 15,6; 19,13-14
– Celibato sagrado: 14, 4
– Candelabro ou Menorá: 1,12; 2,5
– Penitência: Capítulos 2 e 3
– Incenso: 5,8; 8,3-5
– O Livro ou lista de livros: 5,1
– A Eucaristia: 2,17
– Cálices: 15,7; Cap.16; 21,9
– O Sinal da Cruz (o tau): 7,3; 14,1; 22,4
– O Glória: 15, 3-4
– O Aleluia: 19,1.3.4.6
– Corações ao alto: 11,12
– O “Santo, Santo, Santo”: 4,8
– O Amém: 19,4; 22,20
– O “Cordeiro de Deus”: 5, 6 e adiante
– A notoriedade da Virgem Maria: 12,1-6; 13-17
– Intercessão dos anjos e dos santos: 5,8; 6,9-10; 8,3-4
– Devoção a São Miguel Arcanjo: 12,7
– Cântico da antífona: 4,8-11; 5,9-14; 7,10-12; 18,1-8
– Leitura da Escrituras: cap. 2-3; 5; 8,2-11
– O Sacerdócio dos fiéis: 1,6; 20,6
– Catolicidade ou universalidade: 7,9
– Contemplação no silêncio: 8,1
– O banquete nupcial do Cordeiro: 19,9-17

Novamente: O Apocalipse é um REVELAR. É uma reflexão imaginária que revela uma norma para os Cristãos. Lembre-se: Com a destruição de Jerusalém, a Igreja deixa para trás um belo Templo, uma cidade santa para abraçar a Nova Aliança. A Nova aliança concluiu a Antiga aliança! E também a incluiu. O que deveria ser trazido com os primeiros cristãos do antigo culto para a nova Igreja? Certas coisas tinham sido claramente substituídas, por exemplo a circuncisão pelo Batismo; o Sabbath como dia de descanso e culto pelo Domingo, o dia do Senhor, o dia da Ressureição; a Festa da Colheita a Páscoa, pela Páscoa de Jesus Cristo na celebração Eucarística.
Todavia Jesus não tinha a intenção de acabar com tudo o que havia na Antiga Aliança. Ele veio intensificar, internacionalizar e internalizar o culto de Israel. Ele potencializou muitos dos elementos da Antiga Aliança. Não haveria mais um santuário central na Terra.
O Apocalipse veio mostrar que Cristo Rei foi entronizado no céu, onde Ele atua como Sumo Sacerdote no Santos dos Santos. Assim o Apocalipse é claro em dizer que a Igreja pode ter edifícios, ministros, candelabros, cálices, paramentos e também o céu!

E assim encerramos por hoje como na reunião anterior, com o olhar, com a mensagem do próprio Jesus Cristo no apocalipse: Não tenha medo, eu ressuscitei. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre! Em Tempo: Peço a todos vocês que orem pelo nosso irmão Lô (Aureliano L. Nogueira) que muito nos ajudou na preparação deste trabalho. Ele ferá uma cirurgia complexa, no coração e conta, humildemente, com a oração de todos vocês. Muito obrigado! (Paulo Arouca – Com. NS Rosa Mística – 19/09/2017)

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