A importância de viver bem a Quaresma

É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” – 2 Cor 6, 2

Esta frase de São Paulo resume todo o sentido do tempo no qual estamos vivendo. Os quarenta dias que antecedem a Páscoa do Senhor remetem ao tempo que os hebreus passaram no deserto até chegarem à Terra Prometida, e o período em que o Cristo foi ao deserto e foi tentado. Iniciamos esse tempo penitencial com a cerimônia de imposição das cinzas, levando-nos a refletir sobre a nossa vida e voltarmos para o Senhor, que nos espera de braços abertos. Somos lembrados da nossa condição humana a partir da frase “Lembra-te de que és pó, e ao pó voltarás”.

O próprio Jesus dá os três alicerces para o cristão viver bem o período quaresmal, que são o Jejum, a Oração e a Caridade; aponta também a maneira correta de se praticar esses atos em contraposição à forma farisaica, que é hipócrita e vazia de sentido. Assim como um telhado que não para em pé sem as colunas, nossa vida quaresmal não tem sentido se falta um desses pilares. De que vale jejum sem caridade? São João Crisóstomo dizia que “De que adianta jejuar de carne, se devoras teu irmão com palavras?”. De que vale a fé sem obras? Onde temos sentido para a nossa oração senão na obra? Como somos motivados a praticar as boas obras sem a oração que brota do coração? Porém, a obra perde o sentido quando perdemos a noção de que servir é diferente de ser visto. Precisamos esquecer o senso farisaico de achar que Deus é cego, isto é, querer mostrar para Ele e para o mundo as nossas obras, jejuns e orações – muitas vezes feitas da boca para fora – com a finalidade de se engrandecer.

São Josemaría Escrivá nos diz que “Não podemos considerar essa quaresma como uma época mais, como uma simples repetição cíclica do tempo litúrgico. Este momento é único; é uma ajuda divina que temos que aproveitar. Jesus passa ao nosso lado e espera de nós – hoje, agora – uma grande mudança”. Podemos passar pela quaresma e Semana Santa e nos mantermos com a mesma mentalidade, a mesma capa de pecado que nos bloqueia a graça de Deus.

A Quaresma é importante pois ela nos prepara para o magno momento da fé, que é a nossa Redenção pela Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus Cristo. A Semana em si é Santa, mas ela só será Santa para mim se eu me santificar por meio dela. E a maneira de nos santificarmos é pela escola da penitência e mortificação, haja vista que o jejum e a abstinência prescritos pela Igreja são apenas o básico. Somos obrigados a fazê-los apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, entretanto, não podemos ficar apenas nisso. Temos que entrar mais a fundo neste caminho de santidade.

São Gaspar Bertoni, num bonito escrito, nos fala sobre o caminho da penitência pela ciência das Três Cruzes: “(…) a primeira é a de Cristo; a segunda, a do bom ladrão; e a terceira, a do mau ladrão. A Primeira leva à glória e pertence aos inocentes, que assim, se assemelham bastante ao Cristo. A segunda proporciona consolação e pertence aos penitentes, que, por meio da paciência, não perdem nem a resignação, nem a paz. Quem não toma nenhuma dessas duas carregará certamente a terceira. Sofrerá muito mais e sem merecimentos. Aqui na terra, toda penitência é breve, passageira e eficaz”. Diante disso, pela penitência e confissão nos aproximamos mais do Senhor, que nos dá força na caminhada quaresmal e, ressuscitado, espera como um pai que espera o filho que foi embora há muito tempo.

Por João Adail Camargo Luiz,                                                                                                                                                                Seminarista Estigmatino, colaborador na Comunidade São José

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